domingo, 21 de janeiro de 2018

QUERO O CIRCO DE VOLTA!



Amigos. Só um fã fiel que acompanha a décadas essa que é a categoria máxima do esporte a motor e me preocupa os rumos que ela está tomando.

Bicho, tá tudo errado!!!!!!

Eu não aguento mais essa "infantilização" da categoria em nome do espetáculo. Do jeito que a coisa está vai virar 'Show da Gretchen'.

Tem muita coisa que precisa mudar. E são coisas simples de fazer, como a volta da liberdade de treinar quando quiser. Fim das punições pela troca de componentes dos carros. E acabar com as bobagens de limites de pistas. Esse tipo de coisa só atrapalha o espetáculo.

Como pode a categoria máxima do automobilismo proibir treino e teste.

Tem muita regra e punição. Está ficando chato de assistir.

Um piloto faz uma tremenda  ultrapassagem durante a corrida, que faz todo mundo vibrar, mas precisa esperar que "três velhinhos caquéticos", depois de verem o replay na Tv, decidam se valeu ou não a ultrapassagem. É o fim da picada!

Esse negócio de incrementar as mídias sociais e interagir com o público, também não vai surtir muito efeito. É bobagem.

Taí o exemplo da Williams: o que era no começo uma coisa que parecia ser legal com muitos elogios dos "internautas" acabou em ofensas diárias. Os xingamentos continuam mesmo depois de darem o prêmio de consolação para o Kubica. A rapaziada não quis nem saber, continuaram a chamar a equipe de "mercenária". Os patrocinadores devem estar adorando. Um dos "internautas" chegou a ameaçar queimar o seu boné da Martini se a Williams não contratasse o polonês. Imolação moderna!

E o russo coitado, que não tem nada a ver com a coisa toda, vai acabar pagando o pato.

Os pilotos atuais também são um problema. O nível baixou. Com a ajuda do computador os pilotos acéfalos vencem corridas. Coisa que era muito difícil de acontecer no passado.

Max Verstappen foi acusado ano passado, por gente mal informada, de estar forçando muito o seu motor e que essa seria a causa das quebras. Teve que vir a público e explicar para os ignorantes que por mais que ele queira, é impossível hoje em dia alguém provocar a quebra do motor. São tantos os computadores e dispositivos de segurança que isso se torna impossível de acontecer.

Hoje em dia os pilotos tem muita habilidade no controle do carro, mas pouco cérebro, como explico a seguir.







Murray e Piquet, dinossauros extintos a milhares de anos atrás


Antigamente a gente tinha pilotos fantásticos e inteligentes como Nelson Piquet. Um cara diferenciado, que tinha uma cabeça fora do comum. Você não encontra na F1 dos anos 80 e 90, outro piloto para fazer uma comparação com o ele. Nelson Piquet foi um piloto único. A cabeça daquele cara é pra estudo científico.

Pra mim o Nelson é um cara que já nasceu um "piloto pronto". Fica até dificil explicar.

Nelson quando era um jovem piloto de 25 anos, já pensava como um piloto experiente de 40!

Na vida a gente aprende levando cacetadas e vivendo. Você quando chega aos 40 sabe mais do que quando você tinha 20 anos porque a vida te ensinou. Agora o Nelson, com 25, por ter uma cabeça à frente, já pensava como um piloto de 40, sem ter precisado viver mais 15 anos. Vocês estão entendendo.

Quando eu analiso um piloto, eu não vou olhar "números". Essa bobagem que fazem muito hoje em dia: o cara tem 3354 voltas na liderança, o outro tem 4555 pole-position....tudo bobagem.

Eu analiso um piloto pelos defeitos e as qualidades que ele tem. Ai eu tiro a média e dou a nota.

Eu sempre critico Lewis Hamilton, porque eu vejo nele mais defeitos do que qualidades. No meu ranking ele tá lá em 35º pra cima. Pode ganhar mais 5 títulos que não vai sair do 35º lugar.

Piquet está entre os primeiros no meu ranking, porque eu via nele mais qualidades do que defeitos como piloto.

Dá para comparar ele com o Emerson Fittipaldi, que também foi um cara fantástico, muito inteligente, que sabia de tudo e que estava sempre aberto  para aprender mais. 

Mas o Piquet ganha do Emerson no quesito "trabalhar em equipe". Emerson sempre foi excelente dentro do time, mas Piquet tinha uma vantagem nesse quesito. Tinha muito mais jogo de cintura e sabia melhor como trabalhar em grupo. Emerson por ser muito individualista, perde para o Nelson nessa qualidade.


Nelson sempre foi um cara extraordinário dentro do time, porque era muito inteligente e tinha uma cabeça aberta, quando você coloca um cara desse no grupo, facilita as coisas, porque o trabalho flui.

Diferente de quando você coloca um "jumento" no grupo, caso do Hamilton, que tem uma cabeça do "tamanho de um carroço de azeitona", aí a coisa toda fede!


Uma pena foi o que aconteceu com ele na Williams. Eu sentia que a coisa iria ser boa com ele e Frank juntos. O pacote era bom, tinham um carro excelente e eu via que ia "dar liga", entre ele e Frank Williams.

Mais logo que ele entrou no time o Frank sofreu aquele acidente e ai o time todo sofreu. Perderam o "cacique" e quem assumiu o comando da tribo foi o "pajé". Aí bagunçou tudo né. A maionese só não desandou porque como falei ,o Nelson é inteligente, e soube levar a coisa.


Esse tipo de piloto como o Nelson nós não veremos mais na Fórmula 1. São dinossauros que foram extintos a milhares de anos atrás. Não tem como recriá-los. Acabou.

Hoje a gente tem pilotos do tipo de um Hamilton, Vettel e Alonso.

Fiz até uma brincadeira outro dia onde disse que a cabeça do Hamilton é de um menino de 5 anos de idade, do Vettel de 10 e do Alonso de 15 anos. Nunca irão além disso.

Pilotos com muita habilidade mas com uma cabeça atrofiada.

Tem habilidade porque com 3 anos de idade já seguravam um volante, chegam aos trinta tendo já 27 anos de "carreira". Mas a cabeça é a mesma de quando tinham 5. São incapazes de pensar.

Se colocar uma pedra no caminho deles, eles tropeçam.






A mediocridade não atinge só os pilotos. A parte técnica também sofre.

Nunca mais veremos um Colin Chapman, um Gordon Murray ou um Owen Maddock...

É impossível isso acontecer. O regulamento atual "castrou" as grandes cabeças pensantes. Hoje impera a mediocridade. O mesmo do mesmo.

Nunca mais veremos um carro revolucionário, o regulamento não permite. O que eles querem é nivelar tudo por baixo.

Em nome do corte de gastos, que na realidade não corta gasto nenhum, cada vez mais caminham para acabar com o espetáculo. Ano passado já foi difícil e esse ano promete ser pior. A palhaçada das punições por troca de componentes continuará e logo teremos 1 motor por temporada.

Uma Haas nunca conseguirá, com o atual regulamento, competir contra uma Mercedes ou Ferrari, que possuem um túnel de vento que funciona 364 dias por ano.

Todo mundo sabe que para baratear a categoria é só uma questão de abrir o regulamento e permitir a volta das cabeças pensantes, e das idéias geniais.

Querem acabar com os carros de corridas e transformá-los em tanques de guerra. Carros e motores Indestrutíveis. Viva o Halo!

Em novembro quem for assistir ao GP Brasil vai correr mais risco na avenida Washington Luiz que os pilotos dentro do autódromo.

A Formula 1 caminha para virar um Indy européia. Só que mais chata, uma cópia mal feita, porque na americana ainda tem os insanos ovais para atrair público. Na "1" continuaremos com circuitos como o de Abu Dhabi.

Quem ia ao cinema para ver Burt Lancaster e Tony Curtis, não vai sair de casa, pagar um ingresso de R$70, para assistir os filmes de hoje em dia.










quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

TIRO NO PÉ



A Williams deu um tiro no próprio pé com a venda do assento de piloto reserva para o polonês.

 Kubica foi contrato por três motivos: dinheiro e propaganda, e também para "limpar a barra" do time que andava meio suja nas "mídias sociais". Já que Paul DiResta não trazia dinheiro foi sumariamente demitido pela equipe. O mesmo DiResta que estava "altamente cotado," segundo Paddy "banana" Lowe, para assumir a vaga deixada por Felipe Massa.

Coitado do britânico, descobriu tarde que foi usado pela equipe. Como o blog divulgou em primeira mão, Kubica e DiResta nunca estiveram nos planos do time Williams. Os dois nomes só foram usados. Por que foram usados? Não sei.

Di Resta além de não ser contratado para a vaga de titular, perdeu também a de piloto reserva. Desconfia que foi por causa da idade, mas duvido que foi isso. Di Resta é um "menino" comparado com o Robert. Tem 31 anos enquanto o polonês vai completar 33. 

Paddy Lowe, sem ficar vermelho e com aquela cara de peroba, disse que o Kubica com a sua experiência vai ajudar no desenvolvimento do carro. Que experiência? Aquela de 2 treinos e meio? Será que é essa?

Mario Isola, da Pirelli, afirmou que Kubica "precisa de um tempo" para se adaptar a nova F1. "É tudo novo para ele", disse o dirigente. Quer dizer que vai passar 2018 " se adaptando" à nova F1.  Grande serventia para a Williams!

Se adaptando para voltar em 2020 quando acaba o contrato do russo. Vai estrear na F1 com 36 anos!

Kubica ficou esquecido em um limbo que durou 8 anos até ser redescoberto em agosto do ano passado. Bastaram 3 meses para a internet canonizá-lo. Depois de alguns milhares de "twitters" e "joinhas" virou o maior piloto que já apareceu em toda a história da F1. Gente que nem era nascida quando ele abandonou a F1 estava gritando #voltakubica! Viralizou, como diriam os mais jovens.



Agora eu explico o por que do tiro no pé:

Quando eu era menino meu pai sempre me levava no circo. A atração que eu mais gostava era a do "ursinho que andava de bicicleta". Eu e todo pessoal da minha faixa etária (10 anos) adorávamos o "ursinho da bicicleta".

Robert Kubica vai ser o "ursinho da bicicleta" do circo da Fórmula 1. Aberração vende mais ingresso, sempre foi assim no mundo do circo. Todo mundo vai pagar para ver "o piloto de um braço só" que ficou 8 anos parado, voltar a pilotar um carro de Fórmula 1.

Só que a coisa para de funcionar no dia em que o Kubica for mais rápido do que os dois titulares. Ai começarão os problemas da Williams. Explico:

O 1º treino da sexta-feira é reservado para testes, não para marcação de tempo. Vamos supor que a equipe resolva testar uma nova asa no carro do Sirotkin ou do Stroll e essa asa não funcione e Robert Kubica faça um tempo muito melhor que o do Stroll e Sirotkin. Vocês imaginem a gritaria nas "mídias sociais", vai ser uma enxurrada de reclamações contra a Williams. Vai voltar o #voltakubica com força total!

A Williams vai passar o resto da temporada sendo hostilizada nas redes sociais. Os patrocinadores vão entrar em pânico. Claire Williams vai ter que circular cercada de guarda-costas para não apanhar. Vai ser um tiro no pé!

A Williams achou que tinha resolvido seus problemas, mas eles só estão começando...









CHICO SERRA: PONTUA NO MUNDIAL





1982 - Depois do conflito entre grandes e pequenos construtores, que antecedeu o Grande Prêmio de San Marino, os preparativos para o Grande Prêmio da Bélgica mostraram, sem demora, que pelo menos por enquanto há novamente paz entre os artistas do circo da Fórmula 1.

Com os resultados obtidos nos treinos, durante os quais aconteceu o acidente que matou Gilles Villeneuve, os Renault logo confirmaram seu favoritismo, já que a Ferrari, em respeito à morte de seu piloto, deixou de competir nessa etapa. Assim, além dos dois Renault, somente outros dois carros turbo poderiam disputar a liderança da corrida: os Brabham-BMW.

Os Renault de Arnoux e Prost, porém, acabaram sendo incapazes de sustentar o ritmo da prova: o primeiro parou pela quebra do eixo da turbina e o de Prost, como de hábito, quebrou quando o piloto perdeu o controle e saiu da pista.

Como exatamente a mesma coisa aconteceu com o Brabham/BMW de Riccardo Patrese, numa disputa de posição contra Derek Daly na 53º volta, restava a de Piquet, que infelizmente não havia conseguido acertá-la mesmo apo´s dois dias de treinos.

Desse modo, os carros equipados com motor Cosworth tinham o caminho para a vitória praticamente aberto. O mais surpreendente, contudo, é que esse caminho tenha sido trilhado justamente por John Watson, o décimo no grid de largada, que recebeu a bandeirada 1 segundo antes de Niki Lauda.

"Eu escolhi os pneus errados, você estava certo", lhe diria Lauda, ao pé do ouvido, enquanto estavam no pódio.

Isso aconteceu, de fato: avaliando o traçado do circuito de Zolder, Watson usou no lado direito do carro pneus mais macios, e do outro lado pneus mais duros. Já Niki Lauda, contrariando as sugestões de Pierre Dupasquier, chefe do departamento de competições da Michelin, usou na corrida quatro pneus de borracha macia. Dessa maneira, não pôde sustentar por muito tempo o segundo lugar que vinha mantendo, ficando em terceiro quando Watson o ultrapassou. Keke Rosberg, também com problemas de pneus, perdeu a liderança.

Por ter cometido um erro de troca de marcha na entrada da gincana, durante a última volta, permitindo que Watson o deixasse para trás.

A vitória de John Watson confirma duas coisas: primeiro, que a McLaren volta ao grupo de equipes mais competitivas da Fórmula 1. Segundo, que essa equipe de Ted Mayer e Ron Dennis conta, de novo, com pilotos que tem talento para vencer.



Se de um lado o desempenho de Watson é irregular, por outro Lauda continua provando que ainda é um piloto tão bom quanto nos seus tempos de Ferrari, razão pela qual poderá lutar pelo título deste ano.

O atual sucesso da Mclaren não pode deixar de ser atribuído ao chefe de equipe Ron Dennis.

Depois de ter conseguido levantar dois campeonatos de Fórmula 3 e um da série PROCAR (com o próprio Lauda) em 1979, conseguiu executar um de seus projetos mais ambiciosos, que era o reerguimento da McLaren, equipe que andava na mais indisfarçável decadência.

Com o apoio da Philip Morris, cuja marca Marlboro patrocina a equipe, reorganizou a Mclaren, contratando, inclusive, o engenheiro John Barnard, que liderou o projeto MP-4. Desse projeto nasceu o McLaren MP-4, com o qual correm Lauda e Watson.

Embora ambicioso, Dennis tem os pés no chão e sabe que precisará de um motor turbo para conseguir vencer o campeonato. E pelo menos a marca do motor já inspira entusiasmo: será um Porsche.

Apesar da maioria dos chefes de equipe estar convicta de que os motores turbo são indispensáveis, a FOCA não deixou de aproveitar o acidente de Villeneuve para insinuar que eles são muito perigosos; e os pilotos não perderam a oportunidade para exigir ainda mais segurança nas pistas.

Não era exatamente mais segurança em Zolder que os pilotos pediam. Depois do Grande Prêmio do ano passado, quando um mecânico da Osella morreu num acidente, o setor de box foi remodelado e agora são 36, e acima deles ficam a sala de imprensa, a dos patrocinadores e o restaurante. A pista foi alargada e nesse GP nada houve que pudesse ser atribuído a um defeito do circuito. Pelo contrário, até no atendimento de emergência a organização de Zolder mostrou-se impecável: trinta segundos após o acidente, Villeneuve já recebia os primeiros socorros, e em três minutos estava a caminho do Hospital St. Raphael, de Louvain, a 60 Km de distância.

O que aconteceu ao piloto canadense chega a ser frequente entre os pilotos de Fórmula-Ford. O piloto Carlos Abdala conta que certa vez, em Silverstone, seu carro enroscou no de um concorrente e praticamente decolou.

Com o Ferrari de Villeneuve, ocorreu exatamente isso, com o agravante da velocidade dos Fórmula 1 atuais. Na curva em que houve o acidente, três anos atrás os carros passavam a 190 Km/h. No acidente de Villeneuve ele estava a 250 Km/h.








terça-feira, 16 de janeiro de 2018

KUBICA: THE COMEBACK





2013 - F1 has been a big part of my life," he confirms. "I still follow it, but it's not easy to watch. The best things is not to think about it or, for sure, your mood goes down. Yes, I would 1.000 times prefer to be there than here, but I cannot be there on the grid. I cannot do anything. The accident happened.

Life is going on. I'm just lucky I'm able to drive and able to drive competitive racing cars." 

"Rallying has helped me to not think too much about F1 and life before the accident".

"I still believe I can come back", he says in a voice devoid of wishful thinking, 

"It's not just a dream. Right now I have limitations with driving single-seaters, but they are less than they look from the outside. Things are improving. It wasn't like this six months ago and it wasn't like this three months ago.. And thanks to rallies and tests on the race track, slowly my condition is improving, but there's still a long way to go". 

Kubica explains how in private testing he found the main physical impairment is to his right forearm and wrist. This, he says, is overcome relatively easily in a roomy rally car, as he can compensate with shoulder movement. But in the shrink-wrapped confines of an F1 car, the space to allow this kind of complementary twist would almost certainly not be available. 

"When I have two arms on the steering wheel and I can operate everything on it, I don't notice a difference, he says. 

"The strength in the arm is not what it was, but if that was the only problem then two months in the gym could solve it."

"The bigger problem is the limitation in the supination and pronation (rotational turning movement) of the arm and he limited functionaly in my fingers. But I'm convinced that this will come back slowly; nerves need a lot of time and I see progress even if it's slow. I am quite sure this will be...not fixed, but not a big problem."

"When I drive it takes concentration and I forget my body's limitations, " Kubica says.

"With the damage I have, I cannot achieve 100 per cent of what I had before, but I hope to improve. If the limited pronation and supination were fixed 80 per cent, I would say "yes" to coming back to F1."




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

NELSON PIQUET







1986 - Aos 34 anos, completados exatamente no dia do Grande Prêmio da Áustria, domingo passado, Nelson Piquet Souto Maior detesta duas coisas: dar entrevistas exclusivas e, principalmente, falar de sua vida particular.

Tido como um sujeito mal-humorado, na verdade é apenas introvertido. Reservado com os que tentam dele se aproximar mais intimamente, Piquet, entretanto, adora fazer piadas e satirizar todo o esquema da milionária FÓRMULA 1. Corajoso nas opiniões, jamais simula. É direto e mordaz.

Bi campeão mundial em 1981 e 1983, é considerado pela maioria da imprensa especializada como o melhor piloto da atualidade.

Não se afeta com os elogios como também não liga para as críticas que recebe. Já foi bi campeão do "Troféu Limão", uma eleição feita entre jornalistas que cobrem a temporada do automobilismo para premiar o piloto mais antipático da Fórmula 1. Mesmo assim, costuma suportar uma hora inteira de perguntas nas conferências de imprensa que se seguem aos grandes prêmios. Responde sem rodeios, solta sonoros palavrões sem a mínima cerimônia.



Há um comentário geral de que Nelson Piquet mudou, que hoje é um tipo bem-humorado. Por que essa mudança?

PIQUET - Não aconteceu nenhuma mudança, sou o mesmo. Apenas não tolero que se metam na minha vida particular. Podem me pichar profissionalmente, mas não deixo invadir minha privacidade. Quem tenta leva patada. Quer um exemplo prático? Passei oito anos sem brincar um Carnaval e, neste ano, só porque fui a um baile no Rio de Janeiro, os jornais inventaram mil romances com metade das atrizes que estavam lá. Eu me fechei, particularmente. Agora sobre automobilismo falo à vontade. Pode me perguntar tudo.

Quer saber sobre as fofocas da equipe, da política da Williams? Eu falo.

Então vamos lá. Houve boicote contra você e a favor de Nigel Mansell?

PIQUET - Sim, muita sacanagem. Patrick Head, projetista e chefe da equipe, foi contra minha ida para a Williams. Ele queria provar que poderia ser campeão com seu protótipo e com um piloto que ainda não tivesse um título. Provar o que todo o mundo já sabia: que o carro é o melhor da F1.

E é?

PIQUET - É. Mas alguém teria de guiar, provar na pista as teorias do projeto.

E quando sentiu essa má vontade?

PIQUET - Já no Grande Prêmio do Brasil, quando ele se encarregou do carro de Nigel e escalou o Frank Dernie, segundo engenheiro e seu subordinado, para trabalhar comigo.

Frank Dernie é um cara competente, mas não tem a iniciativa de Head, o responsável pelas inovações e testes. Estranhei aquela atitude, achei que viriam mais coisas pela frente, e fiquei com o pé atrás.

E o que ocorreu depois?

PIQUET - A sacanagem continuou. Em Jerez, no Grande Prêmio da Espanha, deram toda a atenção para o carro de Mansell. Não chiei, mas esperei a hora de dar o troco. Quando veio a corrida de Monte Carlo, quiseram me tirar o carro reserva. Aí chamei Head para um papo particular, mostrei meu contrato de primeiro piloto, com prioridade sobre o segundo carro, e mandei ele "tomar no cu" diretamente.

E essa atitude não aumentou o atrito entre você e o chefe da equipe?

PIQUET - Claro, e piorou também com o Mansell.

E agora, como está o relacionamento?

PIQUET - (com ironia) Uma maravilha. Eu não falo com o Mansell, traço minha própria tática de corrida e fico gozando os dois. São uns babacas. não dou a mínima informação. Só falo com Frank Dernie, mesmo assim forneço duas ou três opções e guardo a quarta para mim. Lá dentro da corrida é que eu digo o que eu vou fazer. Falo pelo rádio com Dernie.

Por exemplo: em Hockenheim tínhamos combinado que eu pararia em tal volta para a troca de pneus. parei três antes e resolvi fazer outro pit-stop para trocar os pneus. Fundi a cuca deles (abre um sorriso). Depois, no final da corrida, bati nas costas de Head e pedi desculpas se, porventura, eu tinha confundido o piloto dele, por ter feito as duas paradas.

Mas essa atitudes não pioram o ambiente?

PIQUET - Não me preocupo. Foram eles que escolheram esta forma de agir. Eu topei. Vamos ver quem tem mais jogo de cintura.

Na Hungria, Mansell andou na minha frente nos cinco primeiros treinos. No último, no sábado, dançou. Larguei na frente.

Ele está com muita sorte... Roda, como aconteceu na Bélgica, e ainda ganha a corrida. Em Hockenheim chegou em terceiro porque as McLaren ficaram sem gasolina. Na Hungria, errou três vezes e ainda fez outro terceiro. Tudo isso porque o carro é bom, permite estas barbeiragens.

Você considera Mansell um bom piloto?

PIQUET - Este ano ele está andando bem. É o maior adversário porque tem um carro igual e tem o protecionismo de Patrick Head e de toda a inglesada que quer vê-lo campeão.

Quem fez quetão de contratar você foi Frank Williams, dono da equipe. Como é que ele vê este tratamento?

PIQUET - (irritado) Não vou me queixar para uma pessoa que está presa a uma cadeira de rodas, que tem um problema infinitamente maior que o meu. (Frank Williams sofre um acidente de automóvel no início do ano na estrada Paul Ricard - Bandol, quando a Williams fazia testes no circuito francês.) E depois eu não vou ficar choramingando. Vou à luta. Quem puder mais chorará menos. Dá até mais prazer topar esse tipo de briga.





Mas, mesmo com você subindo no pódio em todas estas corridas da fase européiaa, com duas vitórias seguidas, Alemanha e Hungria, esta política continua?

PIQUET - Sim. Veja, por exemplo, o programa de testes. Só sou escalado para fazer os testes de motor, enquanto Nigel faz os do carro. Isso me prejudica porque fico atrasado nas inovações, aprendo pouco sobre o chassi. Dei bronca e, então, fizeram uma mudança: Mansell testa duas vezes o carro e uma vez o motor, enquanto eu faço um teste de carro e dois de motores.

Se Nigel Mansell saísse da equipe, como ameaçou ir para a McLaren ou Ferrari, seria melhor para você?

PIQUET - Seria. Se tivesse se comprometido com outra equipe, o interesse da Williams em me fazer campeão seria outro.

Mas o babaca pediu alto demais, fez exigências absurdas, depois abriu as pernas, e resolveu ganhar o que a Williams lhe ofereceu. Mas no fundo já estou gostando desta guerra.

Esta oposição aumenta sua vontade de ganhar o título?

PIQUET - Na Fórmula 1 a gente sempre quer vencer. Mas desta vez vai dar mais tesão "deixar ele na poeira".

Mudando um pouco de assunto, como você está vendo a fase atual da Fórmula 1?

PIQUET - Uma maravilha. Se mudarem, estragam.

E essas trocas de pneus: não se arrisca a perder uma corrida ou posições com estes pit-stop?

PIQUET - Acho ótimo. Dá chance de a gente usar mil truques. A F1 é cheia de macetes e, com essas paradas, pode-se usar a imaginação, confundir o inimigo.

Mesmo dentro da própria equipe ?

PIQUET - Principalmente. Ultimamente, tenho-me divertido vendo os gringos tentarem adivinhar o que a gente vai fazer. Já te disse, dou algumas opções a Frank Dernie, mas jamais abro o jogo totalmente. No Grande Prêmio da Hungria, combinei que ia parar na volta 26, mas, como achei que o carro estava ótimo, retardei a parada por dez voltas. Isso é muito bom (risos): faz eles baixarem a bola.

Mas com todo esse jogo político não poderia haver um boicote técnico?

PIQUET - Não confunda. Ninguém vai botar uma peça defeituosa ou usar de um expediente sacana para me tirar da corrida.

Simplesmente sou preterido por Patrick Head, que não engole minha vinda para a equipe. Pior para ele, que tem de me aceitar de qualquer forma.




Também se comenta que você não tem bom relacionamento com Ayrton Senna. Por quê?

PIQUET - Eu não conhecia Ayrton Senna antes de vir par a Europa. Eu tenho minha vida, meus hobbies. Só porque somos brasileiros deveríamos ser amigos? Não tenho nada contra nem a favor.

E Ayrton Senna piloto. Qual sua opinião?

PIQUET - É magnífico. Um ótimo piloto. Um cara que arrisca tudo, até demais. Se você perguntar a qualquer outro piloto, vão te dizer a mesma coisa.

Muitos, porém, temem que ele seja ousado demais e esteja sujeito a dar uma cacetada a qualquer momento.

Na Fórmula 1 a gente está sempre aprendendo. Nunca se sabe o suficiente. O perigo maior para um piloto é pensar que já sabe de tudo.

Por que você nunca teve muitos amigos na Fórmula 1?

PIQUET - Porque aqui cada um cuida de sua vida. Só nos vemos nas corridas. Existe um relacionamento meramente profissional e competitivo. É cada um por si, estamos sempre tentando levar a melhor sobre os outros. Claro que tive amigos.

Lauda foi um. Gostava do Niki, um cara tri campeão mundial que sabia de tudo, não esnobava ninguém. Como é que eu vou ser amigo dos franceses?

Prost é cheio de frescura, Keke, muito confuso. Imagine anunciar, no meio da temporada, que vai deixar de correr. Isso é coisa de cantor. Pura bobagem.

Agora gosto, por exemplo, de Stefan Johansson, um cara simpático. Mas como é que vou conversar com Renè Arnoux? Um panacão, QI de 12, eu acho.

O que você achou de a Honda abandonar a exclusividade de seus motores com a Williams e cedê-los, também, à Lotus?

PIQUET - Muito ruim. Na verdade, a Honda comprou a Lotus. Senão, como poderia garantir a permanência do Ayrton; que foi hábil em forçar que a Lotus fizesse o negócio e manter Gerard Ducarouge como projetista e outras exigências.

Mas acho que será ruim para os dois times. Vai haver pouca concentração. Vai, enfim, dividir.

O motor Honda é, realmente, o melhor da Fórmula 1?

PIQUET - Sinceramente o Williams é o melhor carro da Fórmula 1, atualmente. Disso tenho certeza. Talvez o motor Honda seja mais econômico, mas não há uma vantagem tão acentuada. Não existe tanta supermacia. Claro que é um motor competitivo, mas não o milagre que dizem.

Por que você deixou a Brabham no final do ano passado e foi para a Williams?

PIQUET - O que mais pesou na decisão foi o carro. Eu sabia que o novo Brabham iria precisar de, no mínimo um ano para se tornar competitivo. Também tinha certeza de que o Williams seria perfeito. Uni as duas coisas: ganhei um carro melhor e fiz um contrato mais compensador.

E então por que Bernie Ecclestone, dono da Brabham, apostava que você não sairia?

PIQUET - Isso faz parte do meu jogo. Como todo mundo sabia que Niki Lauda ia parar, levantamos o boato de que eu iria para o lugar dele na McLaren. E, enquanto Bernie discutia com Ron Dennis, eu me acertava, na moita, com Frank Williams.

Então se considera um bom negociador fora das pistas?

PIQUET - Para se conseguir um bom carro tem de se mostrar serviço na pista. Eu hoje tenho o mesmo prazer de pilotar como tinha quando iniciei. Por isso, para lutar por aquilo que almejo, quero um carro competitivo e brigo por ele.

E essa filosofia que não o deixa intimidar-se pela oposição de Patrick Head?

PIQUET - Bobagem. Até acho que vou poder proporcionar o prazer de dar o campeonato a ele. Mas, se chegar lá. E estou lutando por isso, serei muito mais exigente. Meu contrato termina em 1987 e, para renovar, vão ter de rebolar.

Em sua opinião, quem são os melhores pilotos da Fórmula 1?

PIQUET - Senna, Prost, Rosberg e Mansell, que este ano está andando bem.

Bom, para quem é acusado de mal-humorado, já falei bastante. Demais.

Para terminar, moro em Monaco, tenho um barco e um avião. Fim.












domingo, 14 de janeiro de 2018

sábado, 13 de janeiro de 2018

JESUS CHRIST !!!!



Pessoal, quando a gente pensa que já viu tudo...

Juro por Deus que eu não acredito nessa possibilidade, mas como na Williams tudo é possível...

Teremos "tio" Kubica nos treinos de sexta-feira!

É "tio", porque quem treina na sexta é a molecada de 17 anos. Agora eles vão ter a companhia do "titio" de 33 anos!

Eu não acredito nessa notícia.

Não faz sentido nenhum uma coisa dessa. É a notícia mais absurda de todas.

Vocês imaginem uma coisa: a Williams com dois pilotos novatos Stroll e Sirotkin, precisando de "horas de vôo" em um F1, irão ceder o carro para o "macaco velho" do Kubica dar umas voltas.

É insanidade total!!!!!!!!!!

O Lance, ano passado foi obrigado a fazer treinos em um carro velho para ganhar experiência. A própria Williams afirmou que ele precisa de mais "horas de F1" para melhorar seu desempenho. Não faria nenhum sentido ele perder uma sessão da sexta para ceder o carro para o Robert.

O mesmo vale para o Sergey, vai estrear na F1 já tendo que ceder a primeira sessão para o Kubica "dar umas voltas".

Outra coisa, um "veterano" como o Kubica não vai aceitar ser piloto de sexta-feira.

O treino de sexta foi feito para jovens pilotos terem o primeiro contato com um Fórmula 1, não para "veteranos".

Juro que não acredito nessa notícia. Mas vamos aguardar. 

Na CASA DA MÃE CLAIRE tudo é possível.....






sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

POBRE ROBERT



Olha aí pessoal! É aquele negócio que já comentei aqui no blog. Ninguém quer ferir os sentimentos do querido Robert Kubica. Fizeram uma tremenda sacanagem com o coitado do polonês e agora ficam tentando consertar.

Foi sacanagem das grandes!

Espero que não achem que estou debochando do Robert, pelo contrário, estou defendendo. Acho que brincaram com ele ao darem falsas esperanças.

Fazendo uma comparação para os leitores entenderem o meu ponto de vista, o que fizeram com o Kubica foi: 

Um cara que sofreu um acidente e ficou paraplégico. Aí chega um amigo e no intuito de querer ajudar, fala para ele; "faça direitinho os exercícios que logo você vai sair dessa cadeira", mas todo mundo sabe que um paraplégico nunca mais vai voltar a andar.

Vocês estão entendendo o meu ponto de vista. Todo mundo sabe que um piloto que fica longe da F1 por tanto tempo não volta mais. Ainda mais com o agravante de ser deficiente físico.